domingo, 22 de março de 2015

Pesquisador do Grupo ELO defende dissertação sobre Climatologia Urbana

Realizou-se no dia 1º de Dezembro de 2014, nas dependências do Centro de Recursos Hídricos e Estudos Ambientais - CRHEA, da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC), a defesa de Mestrado em Ciências da Engenharia Ambiental do Pesquisador do Grupo ELO, Gustavo Zen de Figueiredo Neves sob a orientação do Prof. Dr. Ricardo Augusto Felício, credenciado no Programa de Pós-Graduação em Ciências da Engenharia Ambiental (PPG-SEA/EESC/USP) e Docente do Departamento de Geografia da FFLCH, da Universidade de São Paulo. 

A banca examinadora da defesa de Mestrado foi composta pelos Prof. Dr. Ricardo Augusto Felício (FFLCH/USP, orientador), Prof. Titular Silvio Soares Macedo (FAU/USP) e o Prof. Assoc. III Francisco Arthur da Silva Vecchia (SHS/EESC/USP, Coordenador-Suplente do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Engenharia Ambiental e Diretor do Centro de Recursos Hídricos e Estudos Ambientais - CRHEA). O pesquisador Gustavo obteve aprovação com unanimidade pela banca.

Intitulado "Variabilidade da radiação em ondas longas em uma cidade de porte médio: Experimentos nos espaços livres em São Carlos-SP", a pesquisa do Gustavo abordou um ramo da micro-climatologia pouco estudo no Brasil e no mundo, que é a temperatura de superfície dos elementos urbanos como asfaltos, calçadas, muros, árvores e fachadas dos edifícios.

Segundo ele "muitos estudos de clima urbano utilizam aparelhos que medem a temperatura do ar, mas não a temperatura de superfície. O problema de medir apenas a temperatura do ar é que o fluido (ar) é muito dinâmico para determinar a temperatura de uma localidade por completo. Na climatologia e meteorologia sabemos que o ar se aquece em contato com a superfície. Temos então, a partir da radiação, a fonte reveladora da temperatura de superfície e consequentemente, a temperatura do ar".

Os materiais e métodos utilizados por Gustavo foram adquiridos por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), em parceria com o Laboratório Quado do Paisagismo do Brasil, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP. Eles utilizaram um termômetro infravermelho que mede a radiação em ondas longas, àquela reemitida da superfície terrestre para a Atmosfera e compararam a variação da radiação com diversas tipologias e uso do solo urbano de São Carlos-SP. Veja ilustração a seguir.
Materiais utilizados na pesquisa para medir a radiação infravermelha de objetivos urbanos em uma cota correspondente a altura média dos pedestres. Fonte: Gustavo Zen F. Neves (2015).

Os resultados apontam que as temperaturas mais elevadas foram registradas para as angulações -10º e 0º cota aproximada a altura média dos pedestres. Os padrões térmicos observados in situ foram correspondentes para algumas tipologias e outras não, pois dependem de fatores multi escalares como advecção (circulação de ventos), camada intraurbana (estrato vertical da Atmosfera da cidade), fluxos de calor sensível e calor latente (trocas de calor com superfícies vegetadas, líquidas e secas).

Acesse AQUI a versão final da dissertação no banco de Teses e Dissertações da USP.

A seguir, tornamos público o resumo do trabalho:

NEVES, Gustavo Zen de Figueiredo. Variabilidade da radiação em ondas longas em uma cidade de porte médio: experimentos nos espaços livres em São Carlos - SP. 2014. Dissertação (Mestrado em Ciências da Engenharia Ambiental) - Escola de Engenharia de São Carlos, Universidade de São Paulo, São Carlos, 2014. Disponível em: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/18/18139/tde-03032015-083507/pt-br.php Acesso em: 2015-03-22.

O balanço de energia e o fluxo radiativo produzidos nas superfícies urbanas não são objetos de muitos estudos no Brasil. Este trabalho objetivou verificar a variabilidade dos fluxos de energia em ondas longas em uma cidade Tropical de Altitude de porte médio. A metodologia fundamenta-se na utilização de um termômetro digital infravermelho fixado em um tripé, com a aferição manual de pontos cardeais e colaterais nas angulações de -10º, 0º, 10º, 25º e 35º, em diversas classificações do uso do solo urbano definidas pelo Laboratório Quadro do Paisagismo do Brasil - QUAPÁ. Realizaram-se onze experimentos de campo na cidade de São Carlos-SP em episódios climáticos representativos de Inverno e Verão. As invasões polares na cidade de estudo, em fase de domínio, impõem as condições iniciais dos tipos de tempo com valores termais de superfície mais brandos quando comparados com a fase tropicalizada. Nas pesquisas de campo as temperaturas mais elevadas foram registradas para as angulações -10º e 0º altura aproximada ao nível do pedestre. Os padrões térmicos observados in situ foram correspondentes para algumas tipologias e outras não, pois dependem de fatores multi escalares como advecção, camada intraurbana, fluxos de calor sensível e calor latente.

O Grupo de Estudo da Localidade - ELO, parabeniza o Mestre em Ciências Gustavo pelo excelente trabalho de pesquisa desenvolvido e deseja muito sucesso ao pesquisador nesta nova etapa profissional.

Por Grupo de Estudos da Localidade (FFCLRP/USP).

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