quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

O Brasil sofre de crise de identidade: É bipolar.


Se você espera encontrar nesse artigo números e fatos sobre Belo Monte, sugiro que pare a leitura por aqui. O que este artigo pretende é fazer uma discussão que toma este tópico como um dos exemplos para apontar reflexões que transpassam a individualidade e os números de cada tema. Pretendo mostrar que o problema está muito antes de Belo Monte, ele está na forma como o Brasil se planeja e conduz suas decisões na área estratégica de meio ambiente.
Nos últimos meses, não foi preciso se esforçar muito para encontrar em diferentes meio de comunicação, diversos debates capitaneados pelo confronto entre meio ambiente e desenvolvimento. Entre os mais acirrados e importantes debates estão as mudanças climáticas global, o novo código florestal e a usina hidroelétrica de Belo Monte. Mesmo que tardiamente e com pessoas mal intencionadas, que optam por confundir ao invés de construir, eu entendo como positivo todo o debate sobre Belo Monte. Mas ainda é preciso amadurecer e entender que, guardada as proporções e independente da temática, no cerne todos eles são frutos de um mesmo processo e de uma mesma lógica retrógrada de desenvolvimento.

Acredito ser pertinente fazer uma distinção entre dois temas centrais para este discussão e que são comumente tratados como sinônimos: Crescimento e desenvolvimento. O crescimento está ligado a indicadores econômicos, como o aumento do PIB. Logo, só ocorre progresso quando o crescimento é positivo. Já para o desenvolvimento não necessariamente é preciso crescer para progredir. No caso de indicadores sociais como o IDH, um crescimento do PIB não necessariamente reflete na melhora da qualidade de vida das pessoas.

Dentro de uma visão carteziana, os debates em foco atualmente nascem de dois pontos erroneamente considerados antagônicos: o desenvolvimento e o meio ambiente. Erroneamente, porque em uma visão moderna de desenvolvimento esses dois tópicos caminham lado a lado e formam as bases do desenvolvimento sustentável. Planejadores e tomadores de decisão comprometidos com o futuro e o presente não poderiam deixar de considerar e dar a mesma importância para todas as esferas de planejamento: o econômico, o ambiental e o social.
Em processos sérios de planejamento ou licenciamento busca-se o maior equilíbrio possível entre as esferas citadas e os atores envolvidos, construído por meio de um debate onde um lado acaba cedendo em algum momento para ser satisfeito em outro. Mas na prática o que observamos é uma lógica conduzida de forma unilateral e protocolar onde quase sempre o lado econômico é privilegiado em detrimento dos aspectos ambientais e sociais. Neste caso predomina a lógica do crescimento econômico.
Esta é a grande frustração dos estudiosos de políticas ambientais e conservação. O Brasil como tomador de decisão ainda não despertou para a necessidade de considerar de forma séria a questão ambiental e social. Ele ainda não se decidiu sobre as necessidades futuras, sobre como crescer e preservar de forma harmoniosa. Caminhamos para sediar uma Rio+20 com que cara ? Falamos da floresta amazônica, mas não ouvimos o que tem a dizer os índios que moram lá a muito mais tempo que nós. Falamos de redução de desmatamento na Amazônia, mas aprovamos um novo código florestal flagradamente construído sem nenhuma base científica para beneficiar um setor específico da sociedade, o agronegócio. Tentamos intermediar acordos de mitigação e prevenção de mudanças climáticas e ao mesmo tempo fazemos do pré-sal a solução para o futuro do país.

Neste ponto o Brasil sofre de crise de identidade, é bipolar. Enquanto nosso país não resolver essa dualidade de desenvolvimento, todos os debates a cerca de temas importantes como o Código Florestal e a usina de Belo Monte serão conduzidos de maneira pouco democrática e quase sempre beneficiando uma minoria privilegiada da sociedade. A máxima se replica: privatiza-se o lucro e socializa-se os prejuízos. Em outras palavras, o lucro é concentrado na mão de uma minoria já abastadas, já os prejuízos ambientais são de todos. É contra essa forma de política que devemos lutar hoje. 
Aproveito a onda de Belo Monte para sintetizar o que discutimos até aqui. Belo Monte é simplesmente simbólica nessa luta. Vamos supor que Belo Monte seja instalada, pois a demanda energética projetada e as necessidades de crescimento justificam sua construção, mesmo ante todos os impactos negativos decorrentes. Amanhã uma nova usina surgirá e a mesma justificativa será apresentada. Qual é o limite para essa replicação? Quando as alternativas técnicas e estratégicas serão discutidas ou apresentadas?  Em que momento os impactos socais e ambientais serão considerados tão relevantes quanto o econômico? 

Pela nossa análise técnica do Plano Decenal de Energia não será até 2020, pois mesmo que a proposição e avaliação de alternativas técnicas e estratégicas seja um dos principais objetivos das peças de planejamento, tais alternativas não foram sequer mencionadas no documento. E assim, até 2020, teremos de engolir mais 12 usinas na bacia amazônica. Doze vezes é um número suficiente para você? E depois dessas 12 vezes, quantas vezes restariam para atingirmos um ponto de colapso, ultrapassando a capacidade suporte do nosso planeta? Se você quer saber, nós já passamos essa linha a muito tempo. Os dados são alarmantes: perdemos anualmente cerca de 30000 espécies por ano, ou 3 espécies por hora, muitas delas nem chegamos a conhecer. Segundo o relatório Global Footprint Network, hoje, precisamos de uma terra e meia para satisfazermos nossas necessidades de consumo. Essa meia terra virá de onde?



É preciso ficar claro que a luta dos ditos ambientalista é uma luta pelo futuro, pela vida. Não somos contra o crescimento, muito pelo contrário, lutamos pela melhoria da qualidade de vida e pela redução de desigualdades sociais com o menor impacto ambiental possível. No entanto, não é mais possível ignorarmos a problemática ambiental, as mudanças urgem e são necessárias para ontem. O melhor exemplo mundial de como empurramos a questão com a barriga são as mudanças climáticas globais. Hoje nem o mais cético dos céticos do clima ainda defende que o planeta não está aquecendo por conta das emissões antrópicas de gases. E quando falamos de aquecimento, das necessidades de revermos nossos padrões de consumo, estamos falando de vidas, do futuro da humanidade no planeta terra. E assim é com todas as outras questões ligadas ao meio ambiente, cada uma com suas implicações e escalas, mas todas elas relacionadas com uma mesma problemática, a falta de visão e sensibilidade dos planejadores e tomadores de decisão com relação as necessidades futuras da humanidade e sua relação com o planeta.

Devemos sim nos preocupar com cada projeto fruto de um processo não democrático e unilateral ou com cada decisão que contrarie as recomendações da ciência, as necessidades e a vontade da maioria. Podemos evitar parte de todo esse problema simplesmente construindo um diálogo real entre os atores envolvidos e as esferas de planejamento, seguindo as recomendações e diretrizes da ciência e do planejamento ambiental de forma séria e comprometida com o futuro. Mas para isso o Brasil precisa escolher o que quer do futuro: se transformar em mais um EUA/China ou servir de exemplo como um país consciente e comprometido com seu povo e com a sua natureza.


Autor: Augusto Hashimoto de Mendonça
Engenheiro Ambiental
Doutorando em Ciências da Engenharia Ambiental
Centro de Recursos Hídricos e Ecologia Aplicada



Texto retirado do blog: http://minhasaia.blogspot.com/ 

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

1º Circular REDLADGEO 2012 - Santiago/Chile

Colóquio Internacional de Investigadores da Didática da Geografia
Santiago, Chile, 16-17-18 de Abril 2012
Universidade Academia de Humanismo Cristiano


Convamo os grupos de pesquisa ligados à Rede Latino Americana de Investigadores em Didática da Geografia, REDLADGEO, para participarem do VII Colóquio Internacional de Didática da Geografia, entre os dias 16 e 17 de abril, do ano 2012, na sede central da Universidade Academia de Humanismo Cristiano, Santiago do Chile.

O objetivo do colóquio é apresentar uma síntese dos trabalhos alcançados pelos grupos de pesquisa vinculados na rede; refletir sobre os fundamentos teórico-metodológicos usados e projetar os resultados para a comunidade educativa com vistas à transformação das práticas pedagógicas relacionadas com o ensino e com aprendizagens do espaço.

Em breve, a organização do evento disponibilizará mais informações e website.

sábado, 10 de dezembro de 2011

Chamada para artigos Revista Educação e Pesquisa

A revista Educação e Pesquisa, da Faculdade de Educação da USP (FEUSP), solicita o envio de artigos para a edição de 2013, sobre "Desigualdades, diferença e políticas públicas para a educação".
O prazo para envio de trabalhos encerra-se dia 23 de fevereiro de 2012.

Os interessados devem enviar, junto do resumo (entre 1.300 e 1.400 palavras), nome completo dos autores, Instituição que pertencem e email de contato para: revedu@usp.br 

Mais informações sobre a Revista Educação e Pesquisa podem ser obtidas por meio do link:

A produção capitalista do Espaço

David Harvey é um geógrafo marxista britânico, formado na Universidade de Cambridge. 
É professor da City University de New York e trabalha com diversas questões ligadas à geografia urbana.

Assista a entrevista do Professor concedida ao Programa Milênio (Globo News, 2010), sobre os rumos do capitalismo.



quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Pesquisador da EESC é homenageado pela presidente Dilma

O Professor Lázaro Valentin Zuquette, chefe do Departamento de Geotecnia, da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC) da USP, foi homenageado pela presidente da República, Dilma Rousseff, durante entrega do Prêmio Jovem Cientista, ocorrida na última terça-feira, dia 6.  O tema desta edição foi Cidades Sustentáveis.

Zuquette recebeu Menção Honrosa por sua qualificação, experiência, capacidade de formação de pesquisadores e produção científica na área do tema.

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O prêmio tem como objetivo incentivar os cientistas a utilizar seu conhecimento científico e tecnológico para responder a problemas sociais críticos e emergenciais do país. 

Neste ano, foram recebidos 2.321 trabalhos, número 7% maior que em 2010. 

A dissertação de mestrado da vencedora da categoria graduado, Uende Aparecida Ferreira Gomes, tratou da ampliação do saneamento básico em áreas periféricas. O vencedor da categoria estudante do ensino superior, Kaiodê Biague, buscou integrar o transporte público de qualidade com a geração de energia renovável, por meio da instalação de mini-usinas solares fotovoltaicas em sistemas de transporte rápido por ônibus.

Já a vencedora da categoria ensino médio, Ana Gabriela Ramos, se preocupou com o acúmulo de plástico utilizado para embalar muda de plantas, uma vez que o material demora até 400 anos para se decompor.

Fonte: Assessoria de Comunicação da EESC, com informações do CNPq

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

VII Fórum Brasileiro de Educação Ambiental

VII Fórum Brasileiro de Educação Ambiental abre inscrições para oficinas, mini cursos e painéis e lança site oficial www.viiforumeducacaoambiental.org.br

O Fórum Brasileiro de Educação Ambiental é o mais importante evento da Educação Ambiental no país e a sua sétima edição acontecerá em Salvador, Bahia, entre os dias 28 e 31 de março de 2012 com a temática estratégica “Educação Ambiental: Rumo à Rio +20 e às Sociedades Sustentáveis”.

O VII Fórum Brasileiro de Educação Ambiental traz visibilidade para a trajetória de conhecimentos, experiências e práticas de educação ambiental do Brasil. O evento abarca múltiplas vivências e oportunidades de diálogos na diversidade de todos os participantes. Nele pretende-se viabilizar a construção de uma sólida agenda de proposições da sociedade civil para a  Rio+20.

Um dos avanços previstos para o VII Fórum é associar e integrar pesquisas, metodologias, aplicação, processos e resultados de Educação Ambiental com o Tratado de Educação Ambiental para as Sociedades Sustentáveis e Responsabilidade Global e demais documentos referenciais de educação ambiental. Para os educadores brasileiros, será uma ótima oportunidade de se reconhecerem e validarem suas práticas como integrantes da rede planetária pelas sociedades sustentáveis.

Assim, o público do VII Fórum envolve educadores, professores, universitários, rede de ensino, empresas, pesquisadores, ambientalistas, povos e comunidades tradicionais, movimentos sociais, ONGs, associações comunitárias, empreendedores familiares, sindicatos, instituições públicas e privadas, formadores de opinião e interessados na área socioambiental, que estarão presentes nesse evento referência na Educação Ambiental.

O Tratado é o documento de princípios da REBEA - Rede Brasileira de Educação Ambiental e inspira a ação dos educadores ambientais articulados em rede. Entre os objetivos do VII Fórum está o de contextualizar sua efetividade e contribuir para avaliação e fortalecimento da Política Nacional de Educação Ambiental.

A ampla programação construída nas dimensões “ambiental, social, cultural, econômica e visão de mundo”, como formato de mesas redondas, fóruns, rodas de conversa, openspace, café social, minicursos, painéis, oficinas, jornadas temáticas, encontros paralelos, trilha da vida, atividades culturais, vídeos no Ecocine, poesias, artes, danças e com a produção de documentos que serão referência para atuação no campo socioambiental.

O Fórum é uma realização da Rede Brasileira de Educação (REBEA) e Rede Baiana de Educação Ambiental (REABA) tendo  o Instituto Röerich da Paz e Cultura do Brasil como secretaria executiva.

Conheça detalhes da programação, inscrição dos trabalhos e orientações sobre os critérios de seleção e participação no site http://viiforumeducacaoambiental.org.br/ .

Contatos com a organização do evento: secretariaVIIforumea@taticcaeventos.com

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Audiência Pública - QUEIMADAS RURAL E URBANA

É visível o agravamento das condições ambientais na região de Ribeirão Preto em razão das queimadas rurais e urbanas que acontecem no período da seca. Perda de biodiversidade, em razão da queima de florestas e áreas verdes urbanas; secura e poluição atmosférica e consequente agravamento das doenças respiratórias; morte de animais; sujeira nas casas e aumento do consumo de água tratada; enfim, uma série de problemas que poderiam ser evitados se medidas preventivas, a serem tomadas pelos Poderes Públicos e pela iniciativa privada, fossem levada a cabo.
Trata-se de uma situação que se agrava ano a ano.
Por essa razão, os Promotores de Justiça do Núcleo Regional do Grupo de Atuação Especial de Defesa do Meio ambiente promoverá audiência pública, amanhã, 7 de dezembro de 2011, às 9h00, no auditório do prédio do Ministério Público, em Ribeirão Preto, objetivando discutir com as autoridades, comunidade científica, agências ambientais e sociedade civil, a definição de políticas públicas que previnam a ocorrência dos incêndios florestais nas zonas rural e urbana.
Dentre os convidados, já confirmou presença o Prof. Dr. Antonio Ruffino Neto, do Departamento de Medicina Social da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto – USP.


sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Coleção Nossa História

Prezados,
 
Convidamos para o lançamento da Coleção Nossa História, composta por cinco livros que resultam de mestrados e ou doutorados em várias áreas. Os autores das cinco obras foram premiados por edital aberto ao público. São eles: Profa. Dra. Luciana Soarez Lopes, Profa. Dra. Nainôra Maria Barbosa de Freitas, Prof. Ms. Rafael Cardoso de Mello, Prof. Dr. Sérgio Luiz de Souza e Profa. Ms. Gisele Laura Haddad.

O evento ocorrerá no Centro Cultural Palace, no dia 05 de dezembro de 2011, as 19h.
 
Detalhes no convite anexo.


quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Lançamento de Livro

Lançamento do livro:
O BRASIL FUGIU DA ESCOLA: MOTIVAÇÃO, CRIATIVIDADE E SENTIDO PARA A VIDA ESCOLA
 
Sexta feira, dia 02/12/2011, as 20:00 hs. na LIVRARIA PARALER do Ribeirão Shopping